Alice Vitória: conheça a trajetória da modelo e influenciadora pernambucana de 12 anosdas câmeras e já escolheu a passarela como destino
Entre vídeos, música, atuação e moda, a pernambucana Alice Vitória constrói uma trajetória precoce sem esconder o que ainda deseja conquistar: crescer, estudar, viajar e fazer do universo das misses uma carreira reconhecida.
Há uma diferença importante entre uma criança que gosta de aparecer diante das câmeras e outra que começa, desde cedo, a compreender esse espaço como parte de um sonho. Alice Vitória Ferreira de Lima pertence ao segundo grupo. Aos 12 anos, vivendo em Lagoa do Carro, Pernambuco, ela fala sobre moda, internet e futuro com a espontaneidade própria da idade, mas também com uma convicção que atravessa toda a sua história: quer crescer no universo da moda e dos concursos de miss.
Antes da passarela ganhar importância, vieram os vídeos. Alice conta que sua jornada no digital começou no YouTube, simplesmente porque amava gravar. É uma origem sem estratégia calculada, metas de alcance ou linguagem de mercado. Havia primeiro o prazer de estar diante da câmera. Depois, esse interesse começou a encontrar outras formas de expressão.
A trajetória artística, segundo Alice, começou ainda mais cedo. Ela diz ter cantado aos três anos e ter vivido, aos cinco, a experiência de ser apresentadora de uma TV web. Também se apresenta como cantora e atriz, facetas que, segundo ela, nem sempre aparecem para quem acompanha principalmente seu lado ligado à moda. Em uma geração acostumada a construir identidades públicas desde muito jovem, esse trânsito entre linguagens ajuda a compreender uma menina que não parece interessada em caber em apenas uma definição.
A moda, no entanto, ocupa hoje um lugar especial nessa história.
Alice identifica com clareza o episódio que mudou sua percepção sobre esse universo: o convite para participar de um desfile. Foi ali que aquilo que poderia ser apenas curiosidade começou a assumir a dimensão de caminho possível. Quando fala sobre o que a mantém motivada, a resposta retorna diretamente a esse desejo: crescer no mundo da moda e de miss.
Sua inspiração inicial também nasceu perto de casa. Alice cita Waldenia Vasconcelos, que identifica como uma miss de sua cidade, como uma das pessoas que despertaram seu interesse. Há algo particularmente significativo nessa referência. Antes dos grandes nomes internacionais, das campanhas distantes e das passarelas que parecem existir em outro mundo, foi uma mulher de seu próprio entorno que tornou aquele sonho visível.
É assim que muitas ambições começam: quando deixam de parecer abstratas.
Uma infância vivida entre arte e exposição
A precocidade da trajetória de Alice não aparece apenas nas datas. Aos três anos, ela já se reconhecia na música. Aos cinco, experimentou a apresentação. Mais tarde vieram os vídeos, o conteúdo digital e a moda. Entre suas lembranças profissionais mais marcantes, ela cita ainda um trabalho com a atriz e humorista Fabiana Karla, conhecida nacionalmente por sua passagem pelo programa Zorra Total.
A relevância desse percurso está menos em criar uma narrativa de chegada — Alice está apenas começando — e mais em observar a quantidade de linguagens que ela já experimentou antes mesmo da adolescência terminar. Cantar, atuar, apresentar, produzir conteúdo e desfilar exigem exposições diferentes. Para uma menina de 12 anos, isso torna ainda mais importante que o desenvolvimento artístico aconteça acompanhado de proteção, estudo, orientação e espaço para continuar sendo criança.
Essa presença familiar aparece de forma evidente quando Alice fala sobre internet. Ao ser perguntada sobre como lida com críticas e pressão, ela responde com a naturalidade de quem ainda conta com uma barreira protetora muito concreta: sua mãe apaga determinados comentários antes que cheguem até ela. Em outra resposta, Alice volta a mencionar a mãe como alguém que a ajuda a permanecer autêntica e seguir crescendo.
Não é um detalhe lateral. Em uma época em que crianças e adolescentes podem ser expostos muito cedo ao julgamento de desconhecidos, a existência dessa mediação importa tanto quanto qualquer número de seguidores.
Alice descreve sua personalidade como arteira, brincalhona, meiga, carinhosa e, sobretudo, alguém que está “sempre atrás dos sonhos”. É uma combinação que ajuda a situar sua imagem longe de uma profissionalização artificial da infância. Existe ambição, mas existe também a menina.
Nas redes, ela associa seu conteúdo à moda e aos cachos, entre outros aspectos de sua rotina. Seu processo de publicação é igualmente espontâneo: quando considera uma foto ou um vídeo bom, publica. Essa simplicidade revela uma presença digital ainda intuitiva, distante de uma identidade excessivamente fabricada.
Entre as experiências comerciais que guarda com carinho, Alice menciona uma colaboração com a Pretens Produtos de Cabelo. Quando fala sobre marcas, sua visão ainda carrega a generosidade própria da idade: diz estar aberta a diferentes possibilidades e destaca, antes de qualquer construção de posicionamento, algo que considera essencial sobre si mesma — ser pernambucana e gostar “de tudo um pouco”.
Pernambuco, nesse sentido, não aparece somente como endereço. É parte da maneira como ela se apresenta.
Quando a conversa chega ao futuro, Alice amplia o horizonte. Nos próximos três anos, diz querer viajar e realizar cursos fora do Brasil. O desejo mostra que sua ambição não está restrita à visibilidade. Há uma noção, ainda inicial, de que crescer também significa aprender e conhecer outros lugares.
Seu maior sonho profissional é direto: ser reconhecida como miss. Alice não disfarça a dimensão dessa ambição e tampouco tenta transformá-la em uma frase sofisticada. Ela quer ser “uma miss famosa”. Aos 12 anos, talvez a força da resposta esteja justamente nessa ausência de cálculo. Crianças costumam dizer seus sonhos antes de aprenderem a reduzi-los para que pareçam razoáveis aos outros.
Mas fama, nessa história, não aparece isolada. Quando questionada sobre o impacto que gostaria de deixar no público, Alice escolhe falar sobre humildade e fé. O amor de Deus também surge quando ela explica aquilo que a move diariamente, novamente ao lado da figura materna.
É uma combinação reveladora: reconhecimento de um lado, raízes do outro.
A trajetória de Alice Vitória ainda está em construção e seria precipitado narrá-la como uma carreira consolidada. O que existe hoje é mais interessante do que uma celebração antecipada: existe uma menina que já testou diferentes formas de estar no mundo artístico, encontrou na moda um território de identificação e consegue nomear com clareza o lugar para onde deseja seguir.
Seu desafio agora não é parecer pronta. É ter tempo para se preparar.
Há cursos que ainda quer fazer, lugares que deseja conhecer, passarelas que pretende atravessar e uma profissão que ainda precisa descobrir em toda a sua complexidade. O sucesso, quando começa tão cedo, não deveria ser medido pela velocidade. Há mais valor em construir repertório, técnica, proteção e consistência do que em transformar cada novo convite em urgência.
Alice tem 12 anos. E isso não diminui sua história; define o momento exato em que ela está.
Diante dela existe uma distância considerável entre o primeiro vídeo feito por prazer e a mulher que um dia pretende se tornar. Existe também algo que nenhuma carreira interessante consegue fabricar depois: vontade genuína de começar. Alice já sabe onde deseja chegar. Agora, a beleza de sua trajetória estará em tudo o que aprenderá até lá.